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Rating Tricury

Apresentamos, a seguir, relatório elaborado por agência de rating de reconhecido prestígio.

- Faça o download do Relatório Analítico Anual - Dezembro/2010

- Faça o download do Relatório Analítico Semestral - Jun/2011

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BANCO TRICURY S.A

Rating

BBB+

O banco apresenta solidez financeira intrínseca
adequada. Normalmente
são instituições com ativos dotados de cobertura. Tais bancos apresentam situação financeira razoável e estável.
O ambiente empresarial e setorial pode ter uma variação mais acentuada do que nas categorias anteriores e apresenta algum risco nas condições intrínsecas de funcionamento do banco.
O risco é baixo.

Data: 26/out/2011
Validade: 31/mai/2012

Sobre o Rating

Perspectiva: Estável
Observação: -
Histórico:
Jun/11: Afirmação: BBB+ (positiva)
Afirmação: A-2 (CP)
Dez/10: Elevação: BBB+ (estável)
Afirmação: A-2 (CP)
Jun/10: Afirmação: BBB (positiva)
Elevação: A-2 (CP)
Dez/09: Afirmação: BBB (estável)
Afirmação: A-3 (CP)
Jun/09: Afirmação: BBB (estável)
Afirmação: A-3 (CP)
Dez/08: Afirmação: BBB (estável)
Afirmação: A-3 (CP)
Jun/08: Atribuição: BBB (estável)
Atribuição: A-3 (CP)

Analistas:

Bruno Hofheinz Giacomoni
Tel.: 55 11 3377 0724
bruno.giacomoni@austin.com.br

Luis Miguel Santacreu
Tel.: 55 11 3377 0703
luis.santacreu@austin.com.br

Austin Rating Serviços Financeiros

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FUNDAMENTOS DO RATING

O Comitê de Classificação de Risco da Austin Rating, em reunião realizada no dia 26 de outubro de 2011, afirmou o rating de crédito de longo prazo do Banco Tricury S.A. em BBB+ (“triplo B mais”). A perspectiva do rating é estável e a classificação de curto prazo foi mantida em A-2.

Com ativos totais de R$ 576,9 milhões e Patrimônio Líquido (PL) de R$ 157,5 milhões (base: jun/11), o Banco Tricury iniciou suas atividades em 1990, a partir da transformação da Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários em banco múltiplo, atuando inicialmente no financiamento de veículos e como administrador dos recursos aplicados pelos acionistas e pelas empresas do próprio Grupo. A partir de 1997, passou a direcionar suas operações para o crédito às pessoas jurídicas, foco que mantém até hoje. O Banco é controlado em 100% por dois irmãos da família Cury, os quais possuem negócios relevantes nas áreas de construção civil e no ramo imobiliário. A administração superior é composta por três Diretores Executivos, os dois acionistas e um Diretor Estatutário.

A afirmação da nota está fundamentada na metodologia de avaliação de risco de instituições financeiras da Austin Rating e considerou o histórico de bom desempenho, a prudente gestão da carteira de crédito e a boa qualidade dos seus ativos. Também reflete a boa capitalização histórica, a baixa alavancagem da estrutura de capital (Índice da Basiléia de
31,3%, relação ativo total/PL de 3,66 vezes e crédito/PL de 2,0 vezes) e a manutenção de confortável nível de liquidez. A liquidez é beneficiada pela manutenção de elevado volume de caixa e pelo funding composto, em parte, por depósitos de fontes ligadas aos acionistas, clientes cativos e DPGEs, com menor participação de recursos voláteis. A posição de liquidez e de capitalização do Tricury que se beneficiou dos recursos obtidos via DPGE, amenizou o acesso restrito ao funding enfrentado pelos bancos pequenos e médios após a crise de 2008.

Em contrapartida, o rating incorpora as dificuldades inerentes a um banco de pequeno porte, com ativos e passivos concentrados, principalmente no que se refere à estabilidade e à diversificação do funding e a tendência, no longo prazo, de aumento da concorrência no segmento de crédito para pessoas jurídicas, com maior pressão sobre a rentabilidade do banco, dada a redução dos spreads. O Tricury tem como desafio acessar canais de captação mais diversificados e de prazos mais longos para sustentar o crescimento de suas operações de crédito. O Tricury se utilizou de depósitos a prazo com a garantia especial do FGC (DPGE) que, por sua configuração, reforçou a captação doméstica e facilitou a originação de créditos com prazos mais longos. O Tricury deverá substituir tal modalidade em razão do cronograma de redução gradual do volume de depósitos emitidos pelas instituições financeiras com esta garantia, a partir de janeiro de 2012, e terá como desafio equacionar o prazo dos ativos com os de captação.

O desempenho do primeiro semestre de 2011 foi bom. O banco aproveitou oportunidades ao operar créditos mais longos a taxas atrativas para alguns clientes e imprimiu um crescimento de 11,5% da carteira se comparado à junho de 2010 (de R$ 286,55 milhões para R$ 319,55 milhões), preservando a margem financeira e o nível das garantias exigidas. O total dos créditos com vencimento acima de um ano aumentou de 36% em junho de 2010 para 41% em junho de 2011. Em junho de 2011, os créditos em atraso superior a 60 dias representavam 3,9% da carteira.

A principal exposição do Tricury é o risco de crédito para empresas com concentrações relevantes. Para 2011, a expectativa era de um crescimento de crédito de cerca de 20%, projetando uma carteira em torno de R$ 360 milhões no final do ano, buscando preservar as garantias e os spreads praticados. Porém, até o primeiro semestre deste ano, o crescimento da carteira foi de apenas 0,4%, diminuindo a expectativa de crescimento.

O histórico de rentabilidade sobre o PL (22,3% em junho de 2011, 19,4% em dezembro de 2010, 18,2% em junho de
2010) é adequado para o perfil de negócio e o baixo nível de alavancagem. A rentabilidade é sustentada fundamentalmente pelos resultados de juros advindos de suas operações de crédito, onde o banco tem conseguido operar com bons spreads, boas garantias e ganhos de sua carteira de ativos líquidos. O banco mantém bom índice de eficiência (22,5% em junho de 2011), refletindo a estrutura enxuta.

A classificação de risco de instituições financeiras realizada pela Austin Rating avalia o risco de crédito de curto e longo prazo da instituição. As notas atribuídas pela Austin Rating obedecem a uma escala de classificação nacional e servem como parâmetro de comparação entre as instituições bancárias atuando no Brasil e, eventualmente, com atividades no exterior. A escala da Austin não leva em conta e tampouco se limita ao rating soberano do país, este empregado como teto para ratings internacionais. O processo analítico da Austin Rating leva em conta, além dos fatores políticos, macroeconômicos, setoriais e regulatórios aplicados às instituições financeiras, os aspectos quantitativos e qualitativos intrínsecos à instituição financeira em análise.

Qualidade dos Ativos

O Banco Tricury encerrou o primeiro semestre de 2011 com R$ 577 milhões em ativos totais, saldo 17% superior ao registrado no final do primeiro semestre de 2011 (R$ 493,23 milhões) e 5,9% maior em relação ao fechamento do ano de 2010 (R$ 544,65 milhões). O movimento ocorrido no ano resulta principalmente do crescimento de 16,4% das relações interfinanceiras de liquidez e o aumento de 11,5% da carteira de crédito de junho de 2010 à junho de 2011. A representatividade do total das operações de crédito nos ativos, com saldo de R$ 319,55 milhões em junho de2011, chegou à 58,7% de participação ante 61,1% no final de junho de 2010 (R$ 286,55 milhões). No mesmo período de comparação, as aplicações interfinanceiras de liquidez foram de R$ 156,63 milhões (29,0% do ativo total) para R$ 182,26 milhões (31,6% do ativo).

O Comitê de Crédito decide os parâmetros e as operações, sendo composto por dois Diretores Executivos e o Superintendente de Crédito. O gerente comercial acompanha, mas não possui poder de decisão. O risco de crédito está centrado nas operações direcionadas para pessoas jurídicas, englobando empresas menores e maiores do middle market, com faturamento anual variando entre R$ 200 milhões e R$ 500 milhões, além de algumas empresas com faturamento anual superior a R$ 1 bilhão. O prazo médio das operações é de cerca de 350 dias e a maior parte
é garantida por imóveis e indexada ao CDI (91,3% em junho de 2011). O segmento de pessoas físicas é pouco representativo (7,4% da carteira em junho de 2011) e se refere à carteira de crédito consignado para funcionários públicos e beneficiários do INSS, adquirida com coobrigação. Os 10 maiores tomadores respondem por 32,3% do total de crédito e 65,6% do patrimônio líquido.

A qualidade da carteira contabilizada no balanço do banco se manteve boa. O total de créditos registrados entre as categorias E a H atingiu 0,7% em jun/11 e um índice de provisão sobre perda líquida de 10,17 vezes. Levando-se em conta todo o contrato e não apenas a(s) parcela(s) vencida(s), a relação entre o total de créditos vencidos acima de 60 dias era de 3,9% em junho de 2011 (5,1% em junho de 2010) e a perda líquida (volume de créditos baixados para prejuízo menos recuperação) representou 0,19% do saldo de crédito ao final do primeiro semestre 2011 (0,26% em junho de 2010).

O volume de provisão aumentou, totalizando R$ 6,3 milhões em junho de 2011 ante R$ 4,8 milhões em junho de2010, acompanhando o crescimento do saldo de crédito. A razão entre o estoque de provisão e o volume de operações de crédito era de 2,0% em junho de 2011, ante 1,7% no final do primeiro semestre de 2010. Em relação aos créditos vencidos acima de 60 dias, o volume de provisão que representava 0,51 vez em junho de 2011 ante 0,33 vez em junho de 2010. Não houve renegociação no período analisado.

Até o final de 2009, o Banco Tricury fazia securitizações de créditos para uma empresa controlada, a Ômega – Cia. Securitizadora de Créditos Financeiros, o que beneficiava, de certa forma, os índices de qualidade da carteira. Em 01/01/2010, a razão social da empresa controlada foi alterada para Omega Administração e Participações Ltda., tendo como objeto social a administração, compra, venda e locação de bens imóveis. O Banco informou à Austin que não securitizará mais créditos para esta empresa. A partir de 2010, não houve securitização de créditos pelo Banco.

 

Capitalização

Historicamente, o Banco Tricury tem operado com boa capitalização, registrando Índice da Basileia elevado (31,3% em junho de 2010, 28,7% em junho de 2010 e 31,1% em junho de 2009). A política de reinvestir a maior parte dos lucros e a realização de aportes periódicos de capital, associado ao modesto nível de alavancagem, tem contribuído para a manutenção de confortáveis níveis de capitalização. Para 2011, o banco esperava um incremento de crédito da ordem de 20%, ainda não materializado no primeiro semestre, cujo crescimento foi de apenas 0,4%.

O montante captado por meio dos depósitos tem se mostrado suficiente para financiar as atividades de crédito. Tanto os depósitos, quanto o saldo de crédito demonstram histórico de equilíbrio e crescimento proporcional. Em junho de 2011, a relação entre o saldo de crédito e o PL foi de 2 vezes (2,3 vezes em junho e dezembro de 2010) e a relação entre o total de depósitos e o PL foi de 2,15 vezes (2,3 vezes em dezembro de 2010). A relação entre o total dos ativos e o PL era de 3,66 vezes.

Na visão da Austin, o acionista é comprometido com a atividade bancária, tendo como principais indícios o crescimento da base patrimonial, por meio da retenção de parcela dos lucros apurados a cada exercício, com vistas a lhe proporcionar melhores condições de competitividade. Além do Banco Tricury, os acionistas participam no Bloco de Controle da empresa Trisul S.A, uma grande construtora e incorporadora com foco em empreendimentos residenciais. O faturamento da Trisul totalizou R$ 393,4 milhões em junho de 2011, ante R$ 385 milhões em junho de
2010. A empresa apresentou prejuízo líquido no primeiro semestre de 2011 de R$ 46,4 milhões ante lucro líquido R$ 37,2 milhões em junho de 2010. O PL de junho de 2011 era de R$ 461,23 milhões. A Trisul S.A. e as empresas coligadas aplicam parte de seu caixa no Banco Tricury em condições normais de mercado, no que se refere a prazos de vencimento e taxas de remuneração. O saldo de depósitos de partes relacionadas totalizava R$ 39,9 milhões em junho de 2011.

Em função do porte do banco e da sua participação no sistema financeiro, a probabilidade de que haja assistência por parte dos órgãos oficiais é baixa. A expectativa da Austin Rating é de que os acionistas se disponham a aportar recursos no banco, em caso de necessidade, porém não podemos assegurar. É intenção dos acionistas continuar capitalizando a instituição.

Captação - Liquidez

Como os bancos de perfil semelhante, em termos de porte e estrutura de captação, o Tricury exibe concentração entre os maiores aplicadores. A participação dos dez maiores depositantes tem sido por volta de 46%. Apesar da concentração, o risco de liquidez é atenuado pela manutenção de elevados níveis de caixa e pela compatibilidade entre o prazo de vencimento dos ativos e passivos, o qual é beneficiado pela participação de recursos ligados aos acionistas e DPGEs no funding. Do total de R$ 314,3 milhões de depósitos a prazo, 12,71% eram recursos de fontes ligadas e 50% de DPGEs. O segmento de pessoas jurídicas representa 93,7%, seguido pelos investidores pessoa física com 6,3% de participação.

O caixa é constituído por aplicações em modalidades de baixo risco e elevada liquidez, basicamente operações compromissadas e CDIs. Em junho de 2011, o caixa e os recursos equivalentes de caixa totalizavam R$ 183,5 milhões (R$ 152,2 milhões de LFTs, R$ 30 milhões de depósitos interfinanceiros e R$ 452 mil em disponibilidades), o que representava 54% do total de depósitos e 116,5% do PL, nível considerado bom pela Austin Rating. Além da participação de fontes ligadas, o prazo médio de vencimento dos depósitos foi beneficiado pela captação de DPGEs com prazos de vencimento mais longos.

O banco captou DPGEs com prazo de vencimento superior a 3 anos e deverá substituí-los com a redução gradativa desta modalidade de captação, apesar do aumento no saldo no terceiro trimestre de 2011 (de R$ 157,3 milhões em junho de 2011 à R$ 172,9 milhões em setembro de 2011) compensando a queda sofrida nos depósitos interfinanceiros para apenas R$ 1 milhão (R$ 20 milhões em junho de 2011).

Com estas características de funding, de prazo médio de crédito e do nível de caixa, o banco mantém boa cobertura entre os ativos com vencimento até 360 dias em relação aos passivos com vencimento no mesmo prazo. No final do primeiro semestre de 2011, o volume de curto prazo representava 1,89 vezes as obrigações com vencimento no mesmo período (1,64 vezes em junho de 2010).

Diferentemente dos bancos pequenos e médios que atuam em modalidades de crédito mais longas, a cessão de carteira, como mecanismo de funding e de adequação de prazos entre ativos e passivos, não tem sido utilizada pelo Banco Tricury. O prazo médio dos créditos se encontrava em cerca 350 dias e, ao contrário da prática de cessão e devido aos elevados volumes de liquidez, o Banco Tricury, complementarmente ao crédito oferecido para empresas, vinha adquirindo esporadicamente carteiras de crédito consignado de outras instituições, até o evento “PanAmericano”.

Risco de Mercado

Tendo como principal atividade a concessão de crédito, o Banco Tricury opera com baixa exposição ao risco de mercado, mantendo os recursos equivalentes de caixa aplicados em títulos públicos federais e depósitos interfinanceiros. As operações de tesouraria funcionam como apoio à principal atividade e estão ligadas à gestão do caixa e do funding, sendo conservadora na atuação. Não possui posição de risco ou alçada. Periodicamente, são realizadas reuniões para acompanhamento do fluxo de caixa.

Para gestão de liquidez, são avaliadas as captações mais relevantes, antecipando possíveis resgates ou renovações e os recebimentos nos fluxos diários. O banco não está exposto à variação cambial e o descasamento de indexador
é baixo. Cerca de 91% dos créditos são pactuados em CDI, mitigando o risco de descasamento de taxas, uma vez
que a captação exibe composição muito semelhante.

O banco gerencia suas posições e controle de risco pela metodologia de Value at Risk – VaR. A política de exposição a riscos é considerada conservadora e para o atendimento ao requerido na Resolução do CMN no 3.464/07 foi implementada no Banco Tricury S/A uma estrutura específica para gerenciamento dos riscos de mercado de suas operações. Adicionalmente, foi aprovada pela Diretoria uma Política para Gestão de Risco de Mercado. Os limites para as operações de tesouraria são estabelecidos pelo Comitê, com anuência dos diretores estatutários da instituição.

Gestão - Estratégia - Governança Corporativa

A estratégia do controlador não apresentou mudanças substanciais no primeiro semestre de 2011, mantendo o banco pouco alavancado, com foco em crédito para pessoas jurídicas e os níveis de liquidez em patamar confortável. A estrutura de capital deverá manter uma relação entre o saldo de crédito e o PL em torno de 2,5 vezes, sendo que ficou em 2,0 vezes em junho de 2011 (2,3 vezes em junho de 2010). A expectativa para este o ano de 2011 era um crescimento de aproximadamente 20% do saldo de crédito, mais modesto que os 43% de 2010. Porém, no primeiro semestre a carteira cresceu apenas 0,4%. A garantia é composta principalmente por imóveis e recebíveis. Adicionalmente à intermediação financeira, participa do programa Minha casa Minha Vida para ser um repassador de crédito, cuja receita se dá conforme aprovação dos documentos pelo Ministério das Cidades.

O funding é composto fundamentalmente por depósitos, mantendo uma participação de fontes ligadas. Também pretende incrementar a captação com terceiros, porém, evitando se alavancar com recursos oriundos de fontes mais voláteis. A redução dos depósitos ocorrida no último trimestre de 2008, puxada principalmente pelos resgates de algumas assets, foi compensada pelos recursos captados com o DPGE, os quais também foram utilizados em 2010, chegando ao final do ano com saldo de R$ 124,8 milhões, e nos três primeiros trimestres de 2011, atingindo saldo ainda maior (R$ 172,9 milhões). Paralelamente ao crescimento do funding e da carteira de crédito, manterá um patamar de liquidez variando entre 40% a 60% dos depósitos, dependendo das condições do mercado. O caixa é aplicado em ativos líquidos, de perfil conservador e a outra parte em crédito. O Banco Tricury tem como meta alcançar um retorno sobre o PL em torno de 20% em 2011, já apresentando ótimo resultado no primeiro semestre (22,3%).
Desempenho

A rentabilidade do Tricury é adequada para seu perfil de negócios. A rentabilidade é sustentada pelos resultados de juros advindos de suas operações de crédito e ganhos de sua carteira de ativos líquidos, bem como de sua estrutura operacional enxuta, a qual proporciona melhor índice de eficiência (22,5%), quando comparado com os seus pares. O banco tem conseguido manter seu ritmo de crescimento enquanto gerencia o risco de crédito de seu principal negócio. Seu histórico operacional no segmento de crédito corporativo tem proporcionado bons indicadores de qualidade de ativos. A rentabilidade tem sido boa, porém a tendência de aumento da concorrência e redução dos spreads deverá pressionar suas margens.

O desempenho do primeiro semestre de 2011 foi superior ao registrado no mesmo período de 2010, acumulando lucro de R$ 17,5 milhões, retorno sobre o PL anualizado de 22,3% e retorno sobre o ativo de 6,1%, os maiores dos
últimos anos. O aumento do lucro decorreu fundamentalmente pela expansão do crédito, combinado com manutenção de uma estrutura enxuta e a maior contribuição do resultado de participação em empresa controlada. Historicamente, o resultado é reforçado por equivalência patrimonial, advindo dos créditos securitizados pelo Banco e recuperados no ambiente da empresa controlada, sendo este maior em 2010, comparativamente a 2009. Entretanto, a razão social da empresa controlada foi alterada para Omega Administração e Participações Ltda. e, apesar das informações dos Diretores do Banco de que não serão mais securitizados créditos para esta empresa, o resultado por participação em controladas ainda é R$ 2,2 milhões em junho de 2011, contra R$ 2,1 milhões em junho de 2010 e R$ 1,2 milhão em junho de 2009.

O lucro líquido obtido veio predominantemente da intermediação financeira, sendo que o banco não tem por prática realizar cessões de crédito como instrumento de funding, bem como antecipar receitas por meio deste instrumento. O resultado bruto de intermediação financeira registrou um acréscimo de 36,8%, de R$ 18,3 milhões acumulados no primeiro semestre de 2010 para R$ 25 milhões em junho de 2011. A receita financeira registrou um aumento de 39,5% (de R$ 31,8 milhões em junho de 2010 para R$ 44,4 milhões em junho de 2011), puxada pela expansão de
34,7% da receita de crédito e em menor grau pelo aumento de 60,8% das receitas de títulos e valores mobiliários. Já a despesa financeira aumentou 43%, em virtude do aumento de 54,3% das despesas de captação, sendo esta proporcional ao volume de depósitos. Houve reversão da despesa de provisão no total de R$ 651 mil em junho de 2011, contra uma despesa de R$ 566 mil no primeiro semestre de 2010.

Com relação às outras despesas operacionais, principalmente de pessoal e administrativas, apesar das alterações, em termos percentuais, estas se dão sobre bases menores e não se configuraram em fatores determinantes para o resultado. A despesa de pessoal cresceu 17,9% (de R$ 2,2 milhões em junho de 2010 para R$ 2,6 milhões em junho de 2011) e as despesas administrativas, no mesmo período de comparação, cresceram 84,1%, de R$ 1,7 milhões para R$ 3,1 milhões.

Fatores Exógenos

O gerenciamento da liquidez das instituições financeiras pequenas e médias foi relativamente tranquilo em 2010, tendo como elementos facilitadores para o Tricury o DPGE. A compra de carteira pelos grandes bancos também esteve bem aquecida até novembro de 2010 antes da eclosão do evento envolvendo o Banco Panamericano. O mercado de cessão se viu prejudicado, em virtude deste evento, acarretando uma queda da compra de carteira por parte do Banco Tricury.

As medidas anunciadas no final de 2010 pelo Conselho Monetário Nacional e pelo BACEN reforçam a preocupação de aperfeiçoar os instrumentos de regulação e manter a solidez e a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional. A retirada gradual dos incentivos introduzidos em 2009 com a redução da cobertura de depósitos pelo FGC, a partir de
2012, a ampliação do requerimento de capital para empréstimos de longo prazo concedidos às pessoas físicas e possíveis mudanças nas regras contábeis que norteiam as cessões de carteira de crédito (Resolução no 3533)
também ensejam a preocupação em manter o controle sobre a oferta de crédito, o casamento de ativos e passivos, a contabilização de receitas e sobre a alavancagem das instituições financeiras.

Na opinião da Austin, o impacto nas atividades do Tricury são relativamente baixas, tendo em vista que o Banco opera fundamentalmente crédito para pessoas jurídicas até dois anos de prazo e não realiza cessões de crédito. O banco não terá uma pressão por aumento de capital relacionado a certos empréstimos de longo prazo a pessoas físicas e aos créditos cedidos com coobrigação, além de mudança da contabilização de receitas com as cessões, com o diferimento das receitas antecipadas com as cessões de crédito realizadas para o mercado.

O principal reflexo nas atividades do Tricury é a redução gradual e a eliminação dos limites de DPGE. Criado como uma linha de contingência para auxiliar os bancos menores a captarem recursos durante a crise, tal modalidade passou a fazer parte da estrutura de captação de alguns bancos que continuaram se apoiando nesta modalidade mesmo após a retomada da liquidez, em meados de 2009, em função dos prazos e da maior estabilidade proporcionada.

 

PERSPECTIVA

A perspectiva estável reflete o entendimento da Austin sobre a manutenção dos bons indicadores de capitalização e folga no índice da Basileia, bem como a adequada gestão da liquidez, e também incorpora o desafio do Banco Tricury em manter sua rentabilidade em um cenário de redução de spreads, com o aumento da carteira de crédito, mantendo sua qualidade. Como fatores que poderiam impactar positivamente na perspectiva da instituição, ressaltamos a ampliação da escala, da pulverização das fontes de captação e de crédito. De forma oposta, impactariam negativamente na perspectiva a deterioração da qualidade da carteira de crédito, bem como a restrição das fontes de captação, que implique descasamento dos prazos entre ativos e passivos.

INFORMAÇÕES UTILIZADAS

A Austin Rating tomou como base para a análise, as demonstrações financeiras referentes a junho de 2011 auditadas pela Ernst & Young Terco Auditores Independentes S.S. sem ressalvas e de informações gerenciais complementares detalhadas em due diligence com executivos da instituição. O disclosure para a Austin Rating foi considerado bom, com a presença de informações necessárias para uma adequada avaliação da estratégia, das políticas das áreas de negócios, da qualidade da carteira de crédito, da estrutura de captação e desempenho.

Em atendimento aos itens 1.4 e 1.7 de seu Código de Conduta, a Austin Rating declara que as informações recebidas foram julgadas como sendo suficientes para o monitoramento dos ratings. A presente análise teve por base demonstrações financeiras auditadas, consideradas fidedignas. Desse modo, a Austin Rating não utiliza procedimentos de auditoria para verificação destas informações. A análise considera a premissa de que as demonstrações financeiras apresentadas refletem devidamente a situação patrimonial da instituição.


Demonstrações Financeiras
Resultado
Carteira
Indicadores
Organograma



Classificação da Austin Rating
Solidez Financeira

AAA
O banco apresenta solidez financeira intrínseca excepcional. Normalmente trata-se de grandes instituições, dotadas de negócio seguro e valorizado, excelente situação financeira atual e histórica. O ambiente empresarial e setorial pode variar sem, contudo, afetar as condições intrínsecas de funcionamento do banco. O risco é quase nulo.
AA
O banco apresenta solidez financeira intrínseca excelente. São instituições dotadas de negócio seguro e valorizado, boa situação financeira atual e histórica. O ambiente empresarial e setorial pode variar sem, porém, afetar as condições de funcionamento do banco. O risco é irrisório.
A
O banco apresenta solidez financeira intrínseca boa. São instituições dotadas de negócio seguro e valorizado, boa situação financeira atual e histórica. O ambiente empresarial e setorial pode variar sem, porém, afetar as condições de funcionamento do banco. O risco é muito baixo.
BBB
O banco apresenta solidez financeira intrínseca adequada. Normalmente são instituições com ativos dotados de cobertura. Tais bancos apresentam situação financeira razoável e estável. O ambiente empresarial e setorial pode ter uma variação mais acentuada do que nas categorias anteriores e apresenta algum risco nas condições intrínsecas de funcionamento do banco. O risco é baixo.
BB
O banco apresenta solidez financeira intrínseca regular. Apresenta parâmetros de proteção adequados, mas vulneráveis às condições econômicas, gerais e setoriais, que podem afetar as condições intrínsecas de funcionamento do banco. O risco é médio.
B
O banco apresenta solidez financeira intrínseca regular. Apresenta parâmetros de proteção adequados, tem uma vulnerabilidade grande às condições econômicas, gerais e setoriais, que pode afetar as condições intrínsecas de funcionamento do banco. O risco é médio.
CCC
O banco apresenta baixa solidez financeira, exigindo eventual assistência externa, apresenta uma vulnerabilidade muito grande às condições econômicas, gerais e setoriais, que podem afetar as condições intrínsecas de funcionamento do banco. O risco é alto.
CC
O banco apresenta baixa solidez financeira, exigindo eventual assistência externa, apresenta uma vulnerabilidade muito grande às condições econômicas, gerais e setoriais, que podem afetar as condições intrínsecas de funcionamento do banco. O risco é muito alto.
C
O banco apresenta péssima solidez financeira, exigindo eventual assistência externa. Tais instituições estão limitadas por um ou mais dos seguintes elementos: negócio de questionável valor; condições financeiras deficientes; e um ambiente empresarial altamente desfavorável. O risco é altíssimo.
Sinais de (+) mais e (-) menos são utilizados para identificar uma melhor ou pior posição dentro de uma mesma escala de rating.

Rating é uma classificação de risco, por nota ou símbolo. Esta expressa a capacidade do emitente de título de dívida negociável ou inegociável em honrar seus compromissos de juros e amortização do principal até o vencimento final. O rating pode ser do emitente, refletindo sua capacidade em honrar qualquer compromisso de uma maneira geral, ou de uma emissão específica, onde é considerada apenas a capacidade do emitente em honrar aquela obrigação financeira determinada.
As informações obtidas pela Austin Rating foram consideradas como adequadas e confiáveis. As opiniões e simulações realizadas neste relatório constituem-se no julgamento da Austin Rating acerca do emitente, não se configurando, no entanto, em recomendação de investimento para todos os efeitos.

Para conhecer nossas escalas de rating e metodologias, acesse: www.austin.com.br

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